Abriu a porta com o máximo
de cuidado possível para não fazer barulho, e foi andando pé ante pé na direção
dos sons abafados. Seus olhos se depararam com uma cena que jamais pensou um
dia presenciar. Não queria acreditar no que seus olhos estavam vendo; não conseguia
acreditar naquilo tudo, e por segundos pensou está sonhando, mas nem em seus
sonhos mais cruéis e pecaminosos imaginaria uma cena daquelas.
Seu namorado, quase marido, Heitor estava ali aos amassos
com a melhor amiga dela. O coração de Anabela se contorcia dentro do peito e
não tinha nenhuma reação. Queria entrar ali e acabar com aquilo tudo de uma vez
por todas, mas não conseguia dá um passo à frente. Cerrou os dentes e fechou os
olhos tentando controlar a vontade e
chorar e gritar desesperadamente ao mesmo tempo. -“canalhas”- pensava consigo
mesma.
De repente, Anabela espantou-se com Manoel que surgira no
limiar da porta, e ao notar as lagrimas que rolavam incessantes pelo seu rosto
não pensou duas vezes e entrou no quarto de uma vez!
-Seu filho da mãe! – gritou Manoel cheio de cólera.
Os dois foram pegos em flagrante e se separaram rapidamente,
cada uma ficando em uma direção oposta do aposento.
Manoel agarrou Heitor pelo colarinho e lhe deu uma bofetada
no rosto.
-Ana, eu posso explicar! – pediu Heitor olhando para a
jovem.
-Eu não quero explicações! Já entendi tudo! – falou ela
olhando em seguida para Tereza que estava de cabeça baixa sem esboçar nenhuma
reação. – E você... Você... Você é uma biscate!
Heitor recebeu outra bofetada e caiu no chão.
-Como se atreve ao encostar essas suas mãos imundas na
Tereza seu crápula! – disse Manoel
- Ela que deu em cima e mim! – ao dizer isso recebeu outra
bofetada.
-Ora seu... Seu verme!
-Ela não vale nada! Vocês precisam acreditar em mim, ela que
me assediou, eu juro e eu sou homem! Você sabe Manoel, a carne é fraca!
-Fraca realmente tua carne vai ficar depois que eu fizer
você cair morto no chão! – Manoel começou a enforca-lo – Você só sai daqui
morto!
-Manoel, por favor! Pare com isso! Não suje suas mãos com
esse verme asqueroso! – gritou Anabela e Manoel parou de agredi-lo. – Saia da
minha frente agora Heitor, antes que eu ajude a mata-lo.
-Vocês não sabiam, mas agora vão ficar sabendo, essa aí não
passa de uma rameira! – Disse Heitor antes de sair.
Anabela olhou para Tereza esperando que ela se defendesse
das acusações, mas só o seu silencio bastava para confirmar que tudo aquilo era
verdade. Heitor saiu do quarto e Manoel foi atrás.
Anabela mirou a amiga com os olhos cheios de lágrimas, não
sabia se sentia pena, raiva, indiferença, mas o ódio falou mais alto. Foi até
ela e a prensou contra a parede olhando fixamente para o rosto dela. Não sabia
o que dizer e a única palavra que saiu de seus lábios foi para insultá-la:
“vadia”.
Lagrimas começaram rolar pelo rosto de Tereza, ela tentou
balbuciar alguma coisa, mas não
conseguiu e caiu desfalecida no chão.
Anabela pensou em ir embora e deixa-la ali, mas não
conseguiu e correu para rua encontrando Manoel e Heitor rolando pelo chão como
dois animais.
-Manoel, deixa esse energúmeno e corre aqui, a Tereza está
muito mal.
Manoel correu para o quarto e segurou a jovem colocando-a na
cama.
-Ela morreu? – perguntou Anabela aflita.
-Não, ela apenas desmaiou.
Ele pegou um frasco e perfume e aproximou-o do nariz de
Tereza que depois de alguns segundos ela piscou algumas vezes e acordou. Por
alguns segundos não lembrava e nada do que tinha acontecido, mas aos poucos as
cenas foram voltando à sua memoria como flashbacks. Ao olhar Anabela,
levantou-se de ímpeto e tentou sair, mas sentiu vertigens e sentou-se na cama
começando a chorar compulsivamente morta de vergonha.
-Ana... – Tereza tentou falar alguma coisa, mas Anabela saiu
a passos largos deixando-a no vácuo.
-Terê...Vai ficar tudo bem! – disse Manoel abraçando-a
-Não Manoel, não vai ficar nada bem! Eu perdi minha melhor
amiga! Minha melhor A...miga. – e chorou ainda mais abraçada a ele.