Tereza estava sentada em frente à penteadeira arrumando os cabelos
negros que caiam como ondas por seus ombros e costas. Olhou pelo espelho a
porta se abrindo lentamente e logo em seguida Anabela surgindo meio assustada
fechando a porta atrás de si e permanecendo lá sem sair do lugar. Tereza olhou
surpresa para ela por alguns minutos, mas logo se recompôs deixando as costas
mais eretas e os olhos apenas pousados no trabalho que fazia, como se pentear
os cabelos merecesse uma maior concentração. Na realidade queria deixar a amiga
à vontade.
Passando-se alguns minutos e vendo que ela continuava lá, parada,
levantou-se e Anabela imediatamente virou as costas, tensa.
-Eu... Eu sinto muito... Queria somente agradecer por ter me ajudado
logo mais cedo.
-De nada. – Respondeu Tereza.
- Quero... também te pedir desculpas...
- Está desculpada.
Um longo silêncio se fez no quarto depois desse pequeno diálogo e para
quebra-lo Tereza perguntou:
- Tem certeza de que não quer mais nada?
Anabela sentiu o coração saltar pela boca, sentiu como se um fogo
consumisse seu rosto, não hesitou em trancar a porta no ferrolho e virou-se
devagar para a amiga com os olhos fixos no chão.
Tereza aproximou-se sorrindo, desceu as alças da camisola pegou uma das
mãos de Anabela e começou a beijar, passando pelo rosto, pelo pescoço. Depois,
olhou fundo nos olhos da amiga e continuou guiando a mão dela, passando pelos
seios e descendo até a barriga.
Anabela olhou para Tereza e sem pensar muito tocou seus lábios nos da
amiga e se afastou rapidamente, nervosa, assustada consigo mesmo. Tereza
colocou o cabelo escuro para traz, segurou o rosto dela com as duas
mãos e beijou-a mais intensamente.
A barreira dos infinitos escrúpulos já tinha sido superada, então
ela a beijou com firmeza, e com o desejo acumulado de muito, muito tempo, quase
esmagando os lábios dela com os seus. Ouviu um pequeno som abafado de aprovação
da parte de Anabela e sentiu os braços dela apertando-a com força
contra seu corpo.
